Deus, um Delírio (Richard Dawkins, 2006)
Um teísta acredita numa inteligência sobrenatural que, além de sua obra principal, a de criar o universo, ainda está presente para supervisionar e influenciar o destino subseqüente de sua criação inicial.
Um deísta também acredita numa inteligência sobrenatural, mas uma inteligência cujas ações limitaram-se a estabelecer as leis que governam o universo.
Os panteístas não acreditam num Deus sobrenatural, mas usam a palavra Deus como sinônimo não sobrenatural para a natureza, ou para o universo, ou para a ordem que governa seu funcionamento.
Os deístas diferem dos teístas pelo fato de o Deus deles não atender a preces, não estar interessado em pecados ou confissões, não ler nossos pensamentos e não intervir com milagres caprichosos.
Os deístas diferem dos panteístas pelo fato de que o Deus deísta é uma espécie de inteligência cósmica, mais que o sinônimo metafórico ou poético dos panteístas para as leis do universo.
O panteísmo é um ateísmo enfeitado. O deísmo é um teísmo amenizado.
A religião de uma era é o entretenimento literário da seguinte (Ralph Waldo Emerson)
O grande e indizível mal no cerne de nossa cultura é o monoteísmo. A partir de um texto bárbaro da Idade do Bronze, conhecido como Antigo Testamento, evoluíram três religiões anti-humanas — o judaísmo, o cristianismo e o islã. São religiões de deus-no- céu. São, literalmente, patriarcais — Deus é o Pai Onipotente —, daí o desprezo às mulheres por 2 mil anos nos países afligidos pelo deus-no-céu e seus enviados masculinos terrestres.
Lembre-se da definição perspicaz de Ambrose Bierce para o verbo “rezar”: “pedir que as leis do universo sejam anuladas em nome de um único requisitante, confessadamente desmerecedor”.
A marca registrada das explicações simples é postular poucas causas. Não poderia haver, nesse sentido, explicação mais simples que aquela que postula apenas uma causa. O teísmo é mais simples que o politeísmo. E o teísmo postula para sua causa única uma pessoa [com] poder infinito (Deus pode fazer tudo que seja logicamente possível), conhecimento infinito (Deus sabe tudo que seja logicamente possível saber) e liberdade infinita.
Como disse o físico americano e prémio Nobel Steven Weinberg, “a religião é um insulto à dignidade humana. Com ou sem ela, teríamos gente boa fazendo coisas boas e gente ruim fazendo coisas ruins. Mas, para que gente boa faça coisas ruins, é preciso a religião”.
Blaise Pascal (o da aposta) disse algo parecido: “Os homens nunca fazem o mal tão plenamente e com tanto entusiasmo como quando o fazem por convicção religiosa”.
A política já matou uns bons milhares, mas a regligião já matou umas boas dezenas de milhares. (Sean O’Casey)
[…] Ele pode ter concordado com Napoleão, que disse: “A religião é ótima para manter as pessoas comuns caladas”, e com Sêneca:
A religião é considerada verdade pelas pessoas comuns, mentira pelos sábios e útil pelos governantes.
Se as crianças fossem ensinadas a questionar e a pensar sobre suas crenças, em vez de ser ensinadas sobre a grande virtude que é a fé sem questionamentos, daria para apostar, com boas chances de ganhar, que não haveria homens-bomba.