Guia Politicamente Incorreto da Filosofia (Pondé, Luiz Felipe)

Os melhores
Já em Platão e Aristóteles a questão dos “melhores” aparece de modo claro. Na República a escola deveria selecionar os melhores para cuidar da cidade, e Aristóteles no seu livro Ética a Nicômaco fala da “grande alma” como o homem mais virtuoso e capaz, a partir do qual os outros vivem, como se a abundância de “força” desse homem alimentasse toda a comunidade. O que fica claro em ambos é a percepção de que alguns poucos capazes são sempre responsáveis pelo mundo. A função da educação é exatamente identificar nos alunos suas diferenças e colocá-las a serviço da sociedade. Os melhores lideram, os médios e medíocres seguem. Qualquer professor sabe disso numa sala de aula. Uma das maiores besteiras em educação é dizer que todos os alunos são iguais em capacidade de produzir e receber conhecimento.
A maioria tende à covardia e à fraqueza. Desculpar a falta de força de caráter da maioria se transformou em fato comum numa certa filosofia “revolucionária” depois da “politização” da ética na esteira de Rousseau e Marx – ou da ideologização de tudo, como quando se culpa o capitalismo por tudo de mau no mundo. Basicamente, o mundo sempre foi mau e continuará a ser, porque ele é fruto do comportamento humano, que parece ter certos pressupostos naturais.
O aristoi sofre muito mais do que o homem comum. É mais solitário, objeto de inveja e ódio, entende muito mais das coisas do que a maioria mediana, enfim, está muito longe da ideia de que os “melhores” são aproveitadores dos outros, pelo contrário, os outros vivem graças a estes (a “grande alma” do Aristóteles).
Democracia
Como dizia Tocqueville no século 19, autor do maior livro sobre democracia já escrito, Democracia na América, a igualdade ama a mediocridade.
Aliás, o risco da tirania do “povo” já tinha sido apontado pelo próprio Tocqueville. As duas formas mais evidentes de tirania são a da maioria e a do dinheiro (criador de uma “aristocracia do dinheiro” em lugar da de sangue).
…e combater a tendência de reduzir a democracia a um regime da “vontade popular” ou um regime “do povo”. O povo é sempre opressor. Quando aparece politicamente, é para quebrar coisas. O povo adere fácil e descaradamente (como aderiu nos séculos 19 e 20) a toda forma de totalitarismo. Se der comida, casa e hospital, o povo faz qualquer coisa que você pedir. Confiar no povo como regulador da democracia é confiar nos bons modos de um leão à mesa. Só mentirosos e ignorantes têm orgasmos políticos com o “povo”.
Outra característica problemática da democracia é sua vocação tagarela, como dizia o conde de Tocqueville. Nela, as pessoas são estimuladas a ter opinião sobre tudo, e a afirmação de que todos os homens são iguais (quando a igualdade deve ser apenas perante um tribunal) leva as pessoas mais idiotas a assumir que são capazes de opinar sobre tudo. E, como dizia nosso conde, Descartes nunca imaginou que alguém levasse tão a serio sua ideia de que o bom senso foi dado a todos os homens em “quantidades” iguais – o que evidentemente é uma mentira empírica. O resultado é que, se você põe em dúvida a capacidade igual entre os homens de ter opiniões, a sensibilidade democrática grita de agonia.
Uma coisa que nosso conde percebeu é que o homem da democracia, quando quer saber algo, pergunta para a pessoa do seu lado, e o que a maioria disser, ele assume como verdade. Daí que, no lugar do conhecimento, a democracia criou a opinião pública.
Mas talvez a pior coisa da democracia seja o fato de que ela deu aos idiotas a consciência de seu poder numérico, como dizia o sábio Nelson Rodrigues. Em suas colunas de jornais, o Nelson costumava dizer que os idiotas, maioria absoluta da humanidade, antes do advento da Revolução Francesa, viviam suas vidas comendo, reproduzindo e babando na gravata. Com a Revolução Francesa e a democracia (que a primeira não criou exatamente porque foi muito mais um regime de terror autoritário), os idiotas perceberam que são em maior número, e de lá para cá todo mundo passou a ter de agradá-los, a fim de ter a possibilidade de existir (principalmente intelectualmente). O nome disso é marketing. Todo mundo que pensa um pouco vive com medo da força democrática (numérica) dos idiotas.
O politicamente correto é uma das faces iradas desses idiotas.
O encontro de Tocqueville, Nelson Rodrigues e Oakeshott é evidente: o idiota raivoso fala sempre com força de bando e, na democracia de massa em que vivemos, ele sim tem o poder absoluto de destruir todos os que não se submetem a sua regra de estupidez bem adaptada.
Os outros
Existem dois filósofos muito ligados a esta causa da “ética da alteridade” (o que não quer dizer que eles carregam em si a praga do politicamente correto), nome técnico para o frisson do amor a todos os outros. Um deles é Martin Buber, e o outro, Emmanuel Levinas, ambos do século 20 e ambos judeus.
Quando os outros estão longe, do outro lado do oceano, é bonitinho amar todos os outros, mas, quando eles têm cheiro e hábitos outros, a coisa complica. A crítica à bobagem de o outro ser lindo não implica a defesa da destruição do outro, mas sim encararmos os impasses que a convivência com o outro gera para a filosofia e para a vida.
O filme Avatar de alguns anos atrás é um exemplo ideal para entendermos o que é um romantismo para idiotas. No filme, a humanidade interesseira está destruindo uma civilização de índios azuis, os Naavis, que vivem num planeta cujo solo tem riquezas minerais. Ao final, alguns humanos unidos aos índios azuis salvam a “deusa natureza” do planeta, expulsam os malvados humanos (representantes da usura moderna) e voltam a viver em contato com a natureza. Cenas como as que mostram conversas com árvores, bestas-feras que se unem aos bons índios azuis contra os capitalistas malvados ou os índios azuis de mãos dadas cantando sons mágicos ao redor de árvores emocionaram milhares de idiotas pelo mundo. Todo mundo sabe que quase ninguém está disposto a viver como os índios, mas é comum gente boba achá-los “superavançados” com suas técnicas médicas do Neolítico. Abraçar árvores não resolve nada, muito menos supor que poderíamos voltar a viver em sociedades pré-escrita ou pré-roda. A menos que mais da metade da população mundial morresse, esses delírios não servem para nada.
Daí que o justo medo da modernidade e do mundo do dinheiro pode fazer de você um retardado, como todo medo faz: corremos o risco de ficar em pânico e infantilizados. Mas o que caracteriza o retardamento mental abençoado pelo politicamente correto é crer que voltarmos ao Neolítico nos salvaria das contradições do desenvolvimento da técnica, fruto de nossos próprios esforços para superar nossos sofrimentos.
O que se revela aqui é o eterno caráter retardado mental (quando não mau caráter apenas) que o politicamente correto aplica a este tema da natureza e dos animais: a crueldade é parte dos esquemas de sobrevivência dos seres vivos, e não adianta projetarmos uma visão de pureza moral de nós mesmos, porque o mundo pararia de existir. O que suspeito fortemente é de que esses caras apenas desejam passar a imagem de bonzinhos porque não gostam de comer carne.
…com o tempo passei a suspeitar de que, sim, há uma pitada de mau-caratismo no feminismo e provavelmente porque suas líderes são, em grande maioria, feias e mal-amadas e por isso querem um mundo feio e infeliz para se sentir mais em casa.
A beleza numa mulher me faz querer entendê-la melhor, ouvi-la melhor, ser mais generoso com ela, mais justo, enfim, ser um homem melhor. Não se trata apenas de um “desejo meramente animal” – se assim fosse, até seria menos danoso o mal que a praga politicamente correta gera ao negar a agonia da beleza no mundo devido à inveja das feias. O alcance espiritual da beleza é fato estudado pelas religiões: o mal inveja a beleza do bem. Mas, para além (ou aquém) da dimensão espiritual, não há nada melhor no mundo do que uma mulher linda a fim de você.
…afora a covardia, sempre necessária para você se transformar em alguém que persegue os outros porque pensa diferente de você ou porque é melhor do que você. Nada é mais temido por um covarde do que a liberdade de pensamento. Toda forma de totalitarismo (o politicamente correto é uma forma de totalitarismo, e essa forma está presente na palavra “correto”) sobrevive graças às hordas de inseguros, medíocres e covardes que povoam a educação e o mundo da cultura e da arte.
Universidade
[…] a universidade é tomada por pessoas de personalidade insegura e medíocre que se escondem atrás de teorias consagradas a fim de garantir seu espaço “intelectual” nas instituições do conhecimento. Não apenas as universidades, mas também a mídia é povoada por pessoas que afirmam o que a maioria quer ouvir, porque isso garante adesões e reduz riscos de confronto. O politicamente correto é um caso típico de opção, por gerar adesões a um discurso autoritário. Basta analisarmos grande parte do que se fala na academia e na mídia para perceber o quanto se repete o mesmo papinho “do bem” que está longe de descrever a realidade, quase sempre intratável ao “Bem”.
Juntando os dois argumentos, chegamos à mediocridade enturmada que caracteriza a vida intelectual e acadêmica. Nada há de se esperar da universidade. As ciências duras ainda podem entregar remédios e robots, as ciências humanas não têm nada para entregar. Quando algo de importante nelas acontece, é à revelia das instituições que as sediam.
Talvez não exista universo menos ético que o da cultura, da arte e da educação, mas graças a Deus ninguém sabe disso, e seus funcionários podem continuar posando de corretos.
Mulheres
Qualquer pessoa sabe que é difícil saber o que queremos com certeza. Uma das “vantagens negativas” da condição da mulher “antiga” era poder pôr a culpa no homem mesmo quando ela não sabia direito a causa de sua irritação – o fato é que ela ainda o faz, só que agora não podemos dizer que ela o faz. Um dos modos de o senso comum se referir à histeria feminina, não tão longe do pensamento freudiano, é dizer que a mulher não sabe o que quer e que se entedia com tudo o que tem. Não vou entrar no mérito dessa discussão técnica. É fato que a própria noção de que a mulher seria o sexo frágil sempre deu a ela a possibilidade de ter “crises” de modo mais tranquilo.
…em apuros, porque, como todo homem sabe, a mulher nunca está satisfeita. E, se você se preocupa em deixá-la satisfeita, você vive uma batalha sem fim, que ela mesma não reconhece como existente. Faz parte da histeria não ter consciência de si mesma.
Religião
Falar mal do cristianismo e do judaísmo é esperado numa pessoa politicamente correta, porque essas religiões são “opressoras”, além, é claro, de ser provavelmente a religião dos pais deles, e por isso eles querem ser “críticos”. Desconfio muito de gente “crítica”. Normalmente as pessoas “críticas” posam para seus amigos “menos cultos” sua parca inteligência feita de generalidades.
…é politicamente incorreto criticar o islamismo. Por isso digo que ser politicamente correto fere a inteligência ou revela mau caráter. Não conheço ninguém que adote o politicamente correto e não seja mau-caráter, fora aqueles que têm idade mental de 10 anos.
Deus, de certa forma, tem de ficar um pouco ocioso como regente da vida comum. Nada disso se vê facilmente no mundo islâmico. Não entro no mérito de qual dos modelos de vida seja melhor, digo apenas que não se vê muita gente fugindo daqui para lá, mas sim de lá para cá.
Repete-se assim o movimento da esquerda em relação ao antigo regime comunista: enquanto eles defendiam esses regimes, gente como eles provavelmente morreriam sob esses regimes.
Hipocrisia
Negar que a hipocrisia seja a matéria pura da moral social é parte da mentira do politicamente correto.
O novo hipócrita social pensa que não esconde nenhum monstro dentro de si. Quando um idiota politicamente correto fala de si mesmo, pensa em si mesmo como um anjo que, por conta do domínio dos malvados (os “outros” que são os cruéis dominadores do mundo), não consegue viver o bem que ele carrega dentro de si. Esse idiota usa a política como modo de esconder o mal em si mesmo. A defesa que o mentiroso PC faz da humanidade é na realidade uma defesa de si mesmo. Ao fazer isso, ele nega ao homem a possibilidade de entrar em contato com seus próprios demônios e assim o torna um enganador de si mesmo, um retardado moral e um canalha que não se reconhece canalha e, por isso, não tem nem mesmo a dignidade de se saber mal, à semelhança de figuras trágicas como Lúcifer.
Outra marca da praga PC assolando os “teóricos de Deus” é a negação sistemática que fazem da ideia de homem pecador em favor da ideia de homem como bom em si, mas dominado pelo peso do capitalismo. A teologia da libertação retira do homem toda e qualquer capacidade de se ver como responsável pelo mal, a menos que ele seja rico, oprima sua mulher e seja homofóbico.
A praga PC detesta a culpa. Uma das coisas mais comuns nos politicamente corretos é negar a culpa dizendo que é a sociedade que “impõe” a culpa como forma de controle.
…só fanático podia imaginar uma sociedade com “justiça social”, porque produzir riqueza tem a ver com originalidade, inteligência, capacidade de disciplina, e nada disso tem a ver com “igualdade”. A natureza não é igualitária em seus dons e suas dádivas, tampouco em suas misérias: poucos são sempre melhores do que a maioria. Isso não significa que devemos cultuar “injustiças sociais”, mas sim que o melhor remédio para “injustiça social” é riqueza e abundância, e não pregadores fanáticos pela justiça social.
Europe
É fácil você pregar sobre convivência com o outro quando sua população é rica e quase todo mundo tem olhos azuis, é loiro e tem um nome do tipo “Amundsen”. É fácil repartir com poucas pessoas quando se tem muito. Não é por acaso que os europeus se fecham aos imigrantes porque não querem dividir seu “sossego”. É normal, o ridículo é negar isso. O politicamente correto nega que seja normal (embora não seja “bonito”) ser egoísta e com isso dá uma roupagem bonita ao egoísmo, porque pretende torná-lo invisível.
Muito do que o espírito humano produziu ele o fez em meio ao sofrimento. Isso não justifica o sofrimento, apenas indica que uma cultura da felicidade e da justiça social pode apenas gerar gente banal e medíocre.
Praga PC
Todo mundo gosta de pensar em si mesmo como corajoso. O politicamente correto assume que a humanidade é boa em si, mas apenas sofre más influências (de onde viriam essas más influências?). Esse modo de pensar revela a face autoajuda da praga PC.
Independentemente do fato de que ditaduras são horríveis, a brasileira não liquidou a esquerda como se fala por aí. E mesmo os tais guerrilheiros lutavam por uma outra forma de ditadura. Tivesse a guerrilha de esquerda vencido a batalha, nós acordaríamos numa grande Cuba. A ditadura, de certa forma, nos salvou do pior.
Nada pior do que essas pessoas que não sabem nada, mas não sabem que não sabem nada, e levam suas vidas banais (toda vida é banal, mas a classe média com sua infinita baixa autoestima não sobrevive a esse fato) como se tivessem algum grande valor que não foi descoberto pelos outros.
Na verdade é duro ser gente mesmo. E a maioria de nós é irrelevante mesmo, se arrasta pelo mundo como uma raça de abandonados que riem com pó entre os dentes. Mas o politicamente correto nos proíbe de dizer esta verdade: o leitor e o telespectador são idiotas, e no fundo nós, que “somos a mídia”, pouco os levamos em conta porque quase nada do que eles dizem vale a pena. Não fosse pela desgraça do mundo capitalista (que nos obriga a ouvir esse sujeito porque ele é consumidor e há de disputá-lo como consumidor), não precisaríamos dele e poderíamos dizer-lhe esta verdade insuperável: você é um idiota e, se não fosse consumidor de nosso produto, esqueceríamos que você existe.
Nada mais chato do que o medo de não agradar. Não querer agradar é uma das maiores formas de libertação num mundo em que somos obrigados a amar tudo a nossa volta. Ninguém é capaz de tanto amor; amamos, quando muito, nossos familiares (e olhe lá) e umas duas ou três pessoas a mais. Uma das formas mais comuns de agradar é ter amores politicamente corretos. Por exemplo, deveriam vender tribos de índio para defendermos e provarmos que temos “consciência ecossocial” – mentira, índios brasileiros só não destruíram a mata atlântica porque viviam no Neolítico e nem conheciam a roda. A praga PC diz amar toda forma de vítima social, mas isso não passa de marketing. No dia a dia, são canalhas cheios de falso amor. Fizessem uma pesquisa de fato, provavelmente ninguém seria capaz de comprovar tanto amor pela humanidade.
A canalhice sempre pagou bem nesse mundo, e o politicamente correto é uma das novas formas de canalhice que assolam o mundo da cultura, da academia e da mídia.
A ideia de que qualquer coisa que venha do povo é boa é absurda. Além do mais, a maior parte do povo é idiota porque a maioria é sempre idiota e infantil. Associa-se a esse fato geral uma outra marca mais específica desse caso, que é a questão dos negros e da indústria das vítimas sociais e históricas como entidades sagradas da verdade moral.
Como diz o psiquiatra inglês Theodore Dalrymple, o ressentimento é um dos sentimentos mais fortes e duradouros na experiência humana, e o welfare state, ao encher as pessoas com direitos a (quase) tudo, cria uma situação peculiar, que é fazer com que os cidadãos sejam, ao mesmo tempo, ingratos com o que recebem (já que tudo o que recebem é direito “inalienável”) e ressentidos quando não recebem seus “direitos”. Não há saída para essa equação de geração de preguiça e mau caráter. E esses “direitos” custam caro. Quem paga a conta? Quem trabalha, é claro. A minoria sempre carregou o mundo nas costas.
O welfare state nega o fato de que poucos são mais capazes, mais inteligentes, mais esforçados e mais disciplinados e que por isso devem gozar dos resultados das suas virtudes. Dizer isso é politicamente incorreto, mas é verdade.
Enfim…
A praga PC deve ser combatida não porque seja bonito dizer piadas racistas (não é), mas porque ela é um instrumento de (maus) profissionais da cultura, normalmente gente mau-caráter, fraca intelectualmente, pobre e oportunista, para aniquilar o livre “comércio de ideias” ao seu redor, controlando as instâncias de razão pública, como universidades, escolas, jornais, revistas, rádio, TV e tribunais. Nascida da esquerda americana, ela é pior do que a esquerda clássica, porque essa pelo menos não era covarde. A praga PC usa métodos de coerção institucional e de assédio moral, visando calar todo mundo que discorda dela, antes de tudo, tentando fazer dessas pessoas monstros e, por fim, tentando inviabilizar o comércio livre de ideias. Ideias não são sempre coisas “boas”. Às vezes doem. Ao final, a praga PC é apenas mais uma forma enraivecida de recusar a idade adulta e de aniquilar a inteligência. O que ela mais teme é a coragem. Por isso, diz que o povo é lindo quando não é, diz que as mulheres estão bem sozinhas, quando não estão (estavam mal acompanhadas e agora estão pior sozinhas, porque a humanidade é basicamente infeliz e incoerente com relação aos desejos e às expectativas), diz que a natureza é uma mãe quando ela é mais Medeia, nos proíbe de reclamar de gente brega ao nosso redor, mente sobre aqueles que lutaram contra a ditadura (eles não eram muito melhores do que os torturadores se tivessem a chance de torturar alguém), nega a importância da culpa porque é mau-caráter, enfim, não é capaz de reconhecer valor em nada porque nega a própria capacidade humana de fazer discernimento.